Saturday, September 26, 2009

A fronteira do Limiar

Já lá vai uma semana, aquando da minha chegada a este país, diga-se, deveras maravilhoso. Tornado de um, outrora, muito aclamado pelos portugueses, posso dizer que uma experiência muito interessante foi. Para além de algum contacto ter estabelecido com o mercado de trabalho, nomeadamente ao abrigo do cargo de professor, sinónimo de fonte de sabedoria, conhecimento e a quem deve ser apresentado mais respeito logo a seguir aos progenitores pelo povo Indiano, tive também a oportunidade de viajar por um país extremamente interessante e que considero ser de oportunidades. No entanto, não posso deixar de frisar a precariedade com que a grande maioria da população vive, um estilo de vida muito diverso do Ocidental e, ainda, uma mentalidade que, embora esteja em grande mudança desde há cerca de vinte anos, ainda denota alguma falta de estima, consideração e respeito pelos direitos humanos.

Tuesday, February 20, 2007

Não Pense!

Não sei, não sei. Ás vezes surpreendo-me comigo mesmo. Não sei, é que não sei mesmo. A ilusão com a qual vivo intensamente dia a dia é algo tão irreal que nem sei como descrever tal coisa. É que não sei mesmo. A angústia, a frieza, o aperto no coração. Sentimentos que, á primeira vista, nada têm em comum, podem ser seriamente interligados de forma a representar a ilusão em que vivo. Não sei, é que não sei mesmo.
Por vezes, ou sendo mais preciso, praticamente sempre, dou por mim na pura imaginação da ilusão, e vivo-a intensamente até ao último momento, em que volto á realidade, e dou por mim naquilo que considero ser a maior estupidez de sempre, o sonho. Estupidez sim, mas só enquanto na realidade estou. Não sei, é que não sei mesmo.
Um suspiro atrás do outro. Será que alguém valerá tanta respiração? Não sei, é que não sei mesmo. Penso que o meu mal é, sem dúvida, tanto pensar.
São várias, umas três ou quatro. Como posso ter ciúmes de uma pessoa que não conheço? Sim, expliquem-me que eu não entendo! O “velho Homem”costumava dizer que “Há remédio para tudo, menos para a morte”. Não concordo. E não concordo, simplesmente, pelo facto de existirem determinadas matérias para as quais não existe uma solução, ou para ser mais exacto, existe com um número infinito de limitações. Não sei, é que não sei mesmo.
Só há uma regra que não tem excepção. É ela própria, ou seja, a regra que nos diz que todas as regras têm excepção, já que se todas as regras a têm, a regra que a confirma é universal. A regra é algo no qual me baseio em decisões inter-subjectivas relativas á vida humana. Um gosto incompreensível pelo sofrimento, tenho. A pequena maioria também o tem, passo o oximoro. Não sei, é que não sei mesmo. Por aqui me fico, com o sumo da laranja, uma vez que a não posso ter inteira!

Saturday, February 17, 2007

Quinta da Regaleira




Sintra é uma das vilas mais deslumbrantes de todo um país envolvido em histórias, mistérios e factos que, devido á ausência documental, continuarão a ser alvo de falta de veracidade.
Classificada como património mundial, pela UNESCO, Sintra é possuidora de um encanto quase que irreal, obra-prima da natureza e do Homem, que nos leva por tempos de outrora, como os de Carvalho Monteiro, mais conhecido por “Monteiro dos Milhões”.
Nascido no Rio de Janeiro em 1848, e filho de pais portugueses, regressou a Portugal anos depois onde se licenciou em Leis pela Universidade de Coimbra.
Possuidor de uma enorme fortuna, (e daí Monteiro dos Milhões), era um apaixonado por tudo aquilo que o fascinava, podendo tornar realidade tudo aquilo que, para muitos, seria um sonho.
Coleccionador e Bibliófilo, possuía uma das melhores bibliotecas particulares do país, na qual estava incluída a biblioteca Camoniana mais completa de sempre, hoje na biblioteca do Congresso de Washington.
Um dos “Sonhos” que tornou realidade foi a construção de um conjunto de edifícios, aos quais hoje atribuímos o nome de monumentos dada a sua beleza interior e exterior, que tiveram início em 1904, graças á ajuda do reputado Arquitecto Luigi Manini, A Quinta da Regaleira.
Da quinta faz parte o Palácio, claramente revelador de ideais nacionalistas e monárquicos, estilo manuelino, o “Zigurate”, ou torre da Regaleira, tendo atribuído o nome á quinta. Tinha como função a observação dos astros, o que simboliza a subida ao mundo celeste. Podemos também referir a capela da santíssima Trindade, com referências aos Templários, detentores do Santo Graal, e ao Poço iniciático, este sim, lugar de prova maçónica na quinta.
Os seus 9 patamares circulares, onde se desce ao abismo da terra ou se sobe em direcção ao céu, constitui parte de um percurso iniciático: Os 9 círculos do inferno, as 9 secções do purgatório e, os 9 céus do paraíso, tal como o génio de Dante consagrou na Divina Comédia.
Muito mais haveria para dizer sobre esta maravilhosa quinta, sendo este texto um resumo de um resumo muito resumido de toda a sua história.

Elizabeth Barrett-Browning

"Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh'alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
A luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte."